Em julho, pensei em estudar uma técnica de decomposição de medidas de desigualdade/pobreza. Procurando as bases de dados, encontrei a a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, que tem muita informação interessante. Mas, com 30 dias para escrever um artigo, não achei que teria tempo para entender bem a pesquisa e produzir estimativas adequadas. Tirei alguns dias para ler a documentação e comecei a fazer algumas tentativas de análise. Uma pergunta bem interessante que a POF permite analisar é: quanto seria a desigualdade de renda se retirássemos as rendas transferidas pelos programas sociais federais?

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Há algum tempo atrás, vi uma discussão bem interessante sobre desigualdade e a Grazielle David do podcast É da sua conta! levantou o tema da polarização de renda. Eu já tinha lido um pouco a respeito e tinha até começado a escrever uma apresentação sobre o tema, mas não tinha calculado nada de fato. Deixei anotado para o futuro. O momento chegou. Neste post, vou tentar explicar um pouco do que é polarização e como essa abordagem se diferencia da desigualdade.

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Pesquisando no repositório das piores ideias da humanidade1, não é raro encontrar a seguinte frase: “A pobreza importa. A desigualdade, não.” Aparentemente, tem gente que acredita nisso. Vou mostrar o quanto isso é estúpido. Considere a sociedade A, cuja renda média é $500.10 e o índice de Gini é 0.400. Vejamos a distribuição cumulativa. Agora considere a Sociedade B, produzida a partir de \(n\) transferências regressivas para o indivíduo mais rico de modo que os demais indivíduos não-pobres estejam quase na linha de pobreza.

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Atualização (21/12/2019): refiz todas as análises usando a nova definição de renda domiciliar per capita e seu respectivo deflator. Interrompendo o meu hiato de alguns meses, resolvi voltar com uma comparação os dados de renda das PNADCs anuais 2016-2017. No entanto, vamos falar um pouco da desigualdade em geral e, então, partir para uma questão mais específica: pobreza na infância1. Mas, antes de tudo, um aviso: Todos as estimativas a seguir foram feitas por mim.

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Guilherme Jacob

Manauara.
Mestrando em População, Território e Estatísticas Públicas.
Bacharel em Direito e Economia.

Rio de Janeiro, Brasil