No último domingo (25), Lula venceu Flávio Bolsonaro no 2º turno. Ele ganhou em 13 UFs, entre elas Amazonas e Minas Gerais. Com isso, voltou a circular uma curiosidade: desde 1989, quem vence nesses dois estados vence a eleição. São 10 eleições sem nenhuma exceção.
Minas costuma ser chamada de principal estado-pêndulo do país justamente por isso. A pergunta central é: qual a chance de alguma UF ter um histórico perfeito por puro acaso?
Na noite da eleição, a Justiça Eleitoral costuma anunciar o vencedor antes de todas as urnas terem sido apuradas. Usando a decomposição observado-não observado da inferência baseada em modelos para populações finitas, podemos deduzir o momento exato em que o resultado se torna certo, com demonstrações simples e uma regra prática que só usa os percentuais atuais e a fração do eleitorado já apurada. Aceitando um risco pequeno de erro, a desigualdade de Cantelli permite anunciar ainda mais cedo.
Depois do 1º turno, voltou o argumento de que “renda se correlaciona inversamente com voto no Lula”. A gente tem os resultados por município e a PNADC, então dá para olhar. A pergunta central é: o que esses dados realmente permitem concluir?
Spoiler: a correlação existe, mas ela é entre áreas, e isso não diz o que acontece entre pessoas.
As minhas quintas-feiras costumam ser divertidas. É o dia que eu almoço junto com os colegas de um dos trabalhos1 Hoje, um colega me perguntou:
Por que tem \(n-1\) no denominador da variância amostral?
Eu dei uma resposta curta, mas não muito boa: é o “desconto” da informação utilizada para estimar a média. Depois, lembrei de umas anotações sobre graus de liberdade; porém essa é muito resposta boa para outra coisa, mas muito longa e indireta.