TL;DR: subregistro existe, é um problema e as taxas de mortalidade ingênuas estão provavelmente erradas. Mas não são inúteis. Estive fazendo alguns exercícios de demografia e pensando sobre subregistro e o quanto isso é um problema. Resolvi pegar algumas leituras que fiz recentemente e tentar mostrar onde isso aparece. Um pouco de história Em alguns países, os registros de nascimentos e mortes é tão bom que você pode calcular as estimativas mortalidade infantil diretamente.

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Em julho, pensei em estudar uma técnica de decomposição de medidas de desigualdade/pobreza. Procurando as bases de dados, encontrei a a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, que tem muita informação interessante. Mas, com 30 dias para escrever um artigo, não achei que teria tempo para entender bem a pesquisa e produzir estimativas adequadas. Tirei alguns dias para ler a documentação e comecei a fazer algumas tentativas de análise. Uma pergunta bem interessante que a POF permite analisar é: quanto seria a desigualdade de renda se retirássemos as rendas transferidas pelos programas sociais federais?

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Ao estudar algumas características de populações distintas, outras características podem influenciar indiretamente na análise. Por exemplo, ao ver a taxa de mortalidade bruta (TBM) da Itália e comparar com a mesma taxa do Nordeste pode ser que a primeira seja maior que a segunda. Isso singifica que as condições de vida na Itália são piores que no Nordeste? Não. Acontece que, por causa da estrutura etária, essa comparação não é justa: uma população mais velha tende a apresentar TBM mais alta que outra mais jovem.

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Há algum tempo atrás, vi uma discussão bem interessante sobre desigualdade e a Grazielle David do podcast É da sua conta! levantou o tema da polarização de renda. Eu já tinha lido um pouco a respeito e tinha até começado a escrever uma apresentação sobre o tema, mas não tinha calculado nada de fato. Deixei anotado para o futuro. O momento chegou. Neste post, vou tentar explicar um pouco do que é polarização e como essa abordagem se diferencia da desigualdade.

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Guilherme Jacob

Manauara.
Mestrando em População, Território e Estatísticas Públicas.
Bacharel em Direito e Economia.

Rio de Janeiro, Brasil